quinta-feira, 29 de maio de 2014

DEP. FEDERAL BETO ALBUQUERQUE X PASTOR EURICO



Márcio Accioly

Ao destituir o correligionário deputado Pastor Eurico (PE), da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal – CCJ -, o líder da bancada do PSB, Beto Albuquerque (RS), acertou com precisão um tiro no próprio pé. Se a situação não for imediatamente corrigida, existe a possibilidade de promover considerável abalo na candidatura presidencial do ex-governador pernambucano Eduardo Campos.
Afinal, que liderança é essa? Que toma atitude tão radical sem ouvir nenhum dos liderados e sem oferecer a mínima oportunidade de defesa? Beto Albuquerque tratou o parlamentar como se fosse moleque submisso às suas vontades e determinações. Agiu como chefe de claque, chefe de torcida, presidente de fã clube que se viu contrariado por uma colocação que não deveria ter sido trazida à tona sob nenhuma hipótese!
Que líder é Beto Albuquerque? Terá sido ele também idiotizado pela programação televisiva veiculada pela Rede Globo? Coisa que acontece há quase cinco décadas e que transformou o país num bordel desmoralizado, reduto de cretinos? Que diabo fez o deputado seu liderado de tão grave, para ser destratado dessa maneira, jogado às feras como se contaminado por vírus letal?
Tudo aconteceu, como se sabe, no plenário da CCJ (última quarta-feira, dia 21), quando era discutida a redação final da proposta “que estabelece o direito de crianças e adolescentes serem educados sem o uso de castigos físicos”. Trata-se do Projeto de Lei 7672/2010 (de autoria do Poder Executivo), que vinha sendo chamado de “Lei da Palmada”, mas agora se chama “Lei Menino Bernardo”.
A mudança de nome é homenagem ao garoto gaúcho de 11 anos de idade (recentemente encontrado morto, na cidade de Três Passos, RS), cuja suspeita de assassinato recai sobre o próprio pai e a madrasta. Pois bem: na ocasião, a apresentadora Xuxa Meneghel (Rede Globo) estava presente como forma de pressionar a aprovação integral do PL.
O que aconteceu? O deputado Pastor Eurico lembrou que Xuxa seria a pessoa menos indicada para defender integridade física e moral de crianças, tendo em vista que, em 1982, ela protagonizou filme pornográfico em que aparece nua e deitada por cima de um menino de 12 anos. O mundo veio abaixo! Ora, o deputado externou posição tendo como base uma situação real, passada, mas acontecida.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), mandou retirar as referências nas notas taquigráficas e o chefe de torcida, quer dizer, o líder do PSB, Beto Albuquerque, determinou o imediato afastamento do Pastor Eurico da titularidade da CCJ. Outros partidos, querendo tirar alguma casquinha da situação, já oferecem vaga ao deputado que tem recusado. Para ele, é questão de honra voltar a ser titular da Comissão pelo mesmo partido ao qual é filiado.
O parlamentar não fez qualquer ameaça, não ofendeu, não disse nada mais além da verdade. Lembrou fato ocorrido que povoa os piores pesadelos da apresentadora. Tanto é real que ela conseguiu, com determinação judicial, sustar o filme “Amor Estranho Amor” e paga mensalmente uma quantia em dinheiro para ressarcir possíveis prejuízos pela não exibição da película.
Sobrou ao presidenciável Eduardo Campos a tarefa de administrar o imbróglio. Se houver desdobramentos, sua ex-excelência pode correr grave risco. Pior do que o ataque dos adversários é a munição fornecida por aqueles que lhe são próximos. Como é habilidoso, irá, certamente, aparar arestas e colocar as coisas em seus devidos lugares. Mas descobriu, da forma mais complicada, que com um líder da categoria de Beto Albuquerque ele não irá sequer ter tempo para se preocupar com os inimigos.

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